Abordagem Sociotécnica: A Inter-relação Social e Técnica nas Instituições

a abordagem sociotécnica propõe a inter-relação dos elementos sociais e técnicos da organização
Leonardo Marioto

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Atualizado em
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As teorias administrativas, como o estudo da Abordagem sociotécnica, são de grande importância para o entendimento e aprimoramento das técnicas relacionadas à gestão e trabalho organizacional.

Assim, trataremos neste texto sobre uma das teorias que identifica a complexidade das relações, sobretudo, na interação do ser humano e das tecnologias nos locais de trabalho.

Introdução à Abordagem sociotécnica

A princípio, a Abordagem sociotécnica manifesta-se por volta de 1810, com o estudo sobre as fábricas e seus sistemas de trabalho. Estudo este realizado por Adam Smith e C. Babbage.

Já em 1950, na Inglaterra, esse método recebeu maior aplicação pelos pesquisadores Trist, Jaques, Rice, Hall e Bamforth ligados ao Instituto Tavistock de Londres.

Você já ouviu falar sobre essa organização? Publicamos um texto desvendando os mistérios por trás de Tavistock:

Em primeiro lugar, o modelo sociotécnico estabeleceu a existência de uma inter-relação entre tecnologia e pessoas, ambas agindo reciprocamente dentro das organizações constituindo duas funções, a saber:

  • Técnica – abrange a execução das tarefas com a ajuda da tecnologia disponível
  • Social – analisa o foco no trabalho em equipe e no relacionamento entre os participantes

 

   

Dessa maneira, a Teoria sociotécnica aborda tanto os aspectos sociais dos indivíduos em sociedade quanto os aspectos técnicos de toda a estrutura organizacional e seus processos.

Antes de exemplificarmos, destacamos ainda que a Abordagem sociotécnica apoia-se nos seguintes princípios (Trist, 1981):

  1. Unidade básica do trabalho: o todo é visto como um conjunto de atividades, e não mais numa decomposição simplificada de tarefas;
  2. Grupos de trabalho: ênfase nas equipes de trabalho, comunicação e cooperação entre os membros do grupo;
  3. Autorregulação: o controle é realizado internamente pelos próprios indivíduos – torna o supervisor um facilitador da convivência entre os grupos;
  4. Variedade de funções: busca pela diversificação de funções a fim de proporcionar o desenvolvimento de diferentes habilidades e contínuo aprendizado;
  5. Autonomia: responsabilidade na execução das tarefas, valorizando-se a iniciativa dos trabalhadores;
  6. Complementação das partes: homem e máquina são agora complementares e aprimoram o sentido do próprio trabalho;
  7. Diversidade: diferentemente do modelo burocrático, a diversidade traz uma maior flexibilidade tanto para a empresa quanto aos seus funcionários.


Por certo, esta nova concepção sistêmica trouxe significativas modificações, além de importantes distinções com as teorias administrativas anteriores como a da Administração científica.

Do sistema social

O sistema social é marcado, evidentemente, pelas pessoas e suas relações.

Características fisiológicas, psicológicas e os fenômenos emocionais de cada um têm maior atenção por parte dos gestores.

Princípios como os de coordenação e controle tornam-se especialmente frequentes nesse sistema.

Além disso, o indivíduo é o elemento-base em conjunto às adaptações de novas tecnologias.

Dessa forma, as pessoas são consideradas no processo como um todo, pois assim conseguirão trabalhar de forma mais autônoma e tenderão a serem menos resistentes a mudanças.

Do sistema tecnológico

Abordagem sociotécnica
Imagem por Marvin Meyer em unsplash.com

“O sistema técnico ou tecnológico é determinado pelos requisitos típicos das tarefas que são executadas pela organização. Varia muito de uma empresa para outra, e é moldado pela especialização dos conhecimentos e das habilidades exigidas pelos tipos de máquinas, equipamentos e matérias-primas e pelo arranjo físico das instalações” (CHIAVENATO, 2009).

Em grande medida, a tecnologia é o que determina as características das pessoas necessárias para os cargos nas empresas: administradores, engenheiros e outros especialistas que as compõem.

A tecnologia é a variável que se relaciona com as habilidades de seus participantes. Isto é, o conhecimento necessário irá depender da tecnologia utilizada no momento.

Logo, o sistema técnico dependerá do sistema social, ambos se relacionando entre si.

Caso haja uma alteração no sistema técnico haverá repressões no conjunto social e vice-versa.

Abordagem sociotécnica e o sistema gerencial

Além da divisão apresentada acima, pode-se ainda acrescentar um terceiro subsistema: gerencial.

O sistema gerencial busca soluções administrativas, como a definição de procedimentos e alcance de resultados.

   

Basicamente, esse sistema determina métodos e objetivos a serem atingidos, relacionando-se diretamente com as estruturas políticas da empresa.

Conclusão

De acordo com as características citadas anteriormente, conclui-se que de maneira mais abrangente o sistema sociotécnico constitui-se de três subsistemas, conforme exemplificado abaixo:

  1. Técnico: inclui a demanda de trabalho, tecnologia utilizada e as características necessárias para desempenhar as tarefas do cargo;
  2. Gerencial: determina os objetivos, a estrtutura da organização, os procedimentos e as regras, as políticas e as definições de benefícios e salários;
  3. Social: engloba a cultura organizacional, a definição de valores e crenças, como também a motivação de funcionários, comportamento e outras interações sociais.


Aqui, observa-se que o sistema sociotécnico propõe uma inter-relação dos elementos sociais e técnicos da organização e busca, sobretudo, o aperfeiçoamento entre o desempenho técnico e a qualidade de vida do pessoal.

Essas duas funções necessitam atuar em conjunto para alcançar os resultados esperados.

Por fim, enfatizamos que o estudo dessa abordagem é extenso, merecendo a sua atenção com mais pesquisas complementares.

Grande parcela do conteúdo apresentado aqui foi retirado do livro “Recursos Humanos: O Capital Humano das Organizações” de Chiavenato.

Caso queira se aprofundar mais, indicamos o link direto para o livro abaixo:

Recursos Humanos - O Capital humano das organizações
Recursos Humanos: o capital humano das organizações, Idalberto Chiavenato

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BIASSI, Fábio. O trabalho e as organizações na perspectiva sócio-técnica; RAE-Revista de Administração de Empresas, vol. 34, n. 1, 1994.

CHIAVENATO, Idalberto. Recursos Humanos – O capital humano das organizações; São Paulo, editora Campus, 2009.

NOVO, Luciana. Teoria dos sistemas abertos e abordagem sioctécnica; Repositório SaberCom da FURG. Acesso em: 20 de fevereiro de 2020

Emery, F. E. & Trist, E. L. Socio-technical systems. In: Systems thinking, editado por F. E. Emery, Penguim, 1969.

Servidor público. Músico e escritor nas horas vagas. É também responsável pelo maior site de Administração e Gestão Pública do Brasil. Formado em Administração pela UNICEP, com especialização em Gestão Organizacional e de Pessoas pela UFSCar.

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