Abordagem Sociotécnica: A Inter-relação Social e Técnica

a abordagem sociotécnica propõe a inter-relação dos elementos sociais e técnicos da organização

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

Atualizado em
Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on linkedin
Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on linkedin

As teorias administrativas, como o estudo da Abordagem sociotécnica, são de grande importância para o entendimento e aprimoramento das técnicas relacionadas à gestão e trabalho organizacional.

Assim, trataremos neste texto sobre uma das teorias que identifica a complexidade das relações, sobretudo, na interação do ser humano e das tecnologias nos locais de trabalho.

Introdução à Abordagem sociotécnica

A princípio, a Abordagem sociotécnica manifesta-se por volta de 1810, com o estudo sobre as fábricas e seus sistemas de trabalho. Estudo este realizado por Adam Smith e C. Babbage.

Já em 1950, na Inglaterra, esse método recebeu maior aplicação pelos pesquisadores Trist, Jaques, Rice, Hall e Bamforth ligados ao Instituto Tavistock de Londres.

Em primeiro lugar, o modelo sociotécnico estabeleceu a existência de uma inter-relação entre tecnologia e pessoas, ambas agindo reciprocamente dentro das organizações constituindo duas funções, a saber:

  • Técnica – abrange a execução das tarefas com a ajuda da tecnologia disponível
  • Social – analisa o foco no trabalho em equipe e no relacionamento entre os participantes

Dessa maneira, a Teoria sociotécnica aborda tanto os aspectos sociais dos indivíduos em sociedade quanto os aspectos técnicos de toda a estrutura organizacional e seus processos.

   
Abordagem sociotécnica
Imagem pixabay.com

Antes de exemplificarmos, destacamos ainda que a Abordagem sociotécnica apoia-se nos seguintes princípios (Trist, 1981):

  1. Unidade básica do trabalho: o todo é visto como um conjunto de atividades, e não mais numa decomposição simplificada de tarefas;
  2. Grupos de trabalho: ênfase nas equipes de trabalho, comunicação e cooperação entre os membros do grupo;
  3. Autorregulação: o controle é realizado internamente pelos próprios indivíduos – torna o supervisor um facilitador da convivência entre os grupos;
  4. Variedade de funções: busca pela diversificação de funções a fim de proporcionar o desenvolvimento de diferentes habilidades e contínuo aprendizado;
  5. Autonomia: responsabilidade na execução das tarefas, valorizando-se a iniciativa dos trabalhadores;
  6. Complementação das partes: homem e máquina são agora complementares e aprimoram o sentido do próprio trabalho;
  7. Diversidade: diferentemente do modelo burocrático, a diversidade traz uma maior flexibilidade tanto para a empresa quanto aos seus funcionários.


Por certo, esta nova concepção sistêmica trouxe significativas modificações, além de importantes distinções com as teorias administrativas anteriores como a da Administração científica.

Do sistema social

O sistema social é marcado, evidentemente, pelas pessoas e suas relações.

Características fisiológicas, psicológicas e os fenômenos emocionais de cada um têm maior atenção por parte dos gestores.

Princípios como os de coordenação e controle tornam-se especialmente frequentes nesse sistema. Além disso, o indivíduo é o elemento-base em conjunto às adaptações de novas tecnologias.

Dessa forma, as pessoas são consideradas no processo como um todo, pois assim conseguirão trabalhar de forma mais autônoma e tenderão a serem menos resistentes a mudanças.

Do sistema tecnológico

Abordagem Sociotécnica
Imagem por Gerd Altmann em pixabay.com

“O sistema técnico ou tecnológico é determinado pelos requisitos típicos das tarefas que são executadas pela organização. Varia muito de uma empresa para outra, e é moldado pela especialização dos conhecimentos e das habilidades exigidas pelos tipos de máquinas, equipamentos e matérias-primas e pelo arranjo físico das instalações” (CHIAVENATO, 2009).

Em grande medida, a tecnologia é o que determina as características das pessoas necessárias para os cargos nas empresas: administradores, engenheiros e outros especialistas que as compõem.

A tecnologia é a variável que se relaciona com as habilidades de seus participantes. Isto é, o conhecimento necessário irá depender da tecnologia utilizada no momento.

Logo, o sistema técnico dependerá do sistema social, ambos se relacionando entre si.

Caso haja uma alteração no sistema técnico haverá repressões no conjunto social e vice-versa.

Abordagem sociotécnica e o sistema gerencial

Além da divisão apresentada acima, pode-se ainda acrescentar um terceiro subsistema: gerencial.

O sistema gerencial busca soluções administrativas, como a definição de procedimentos e alcance de resultados.

Basicamente, esse sistema determina métodos e objetivos a serem atingidos, relacionando-se diretamente com as estruturas políticas da empresa.

Conclusão

De acordo com as características citadas anteriormente, conclui-se que de maneira mais abrangente o sistema sociotécnico constitui-se de três subsistemas, conforme exemplificado abaixo:

   
  1. Técnico: inclui a demanda de trabalho, tecnologia utilizada e as características necessárias para desempenhar as tarefas do cargo;
  2. Gerencial: determina os objetivos, a estrtutura da organização, os procedimentos e as regras, as políticas e as definições de benefícios e salários;
  3. Social: engloba a cultura organizacional, a definição de valores e crenças, como também a motivação de funcionários, comportamento e outras interações sociais.


Aqui, observa-se que o sistema sociotécnico propõe uma inter-relação dos elementos sociais e técnicos da organização e busca, sobretudo, o aperfeiçoamento entre o desempenho técnico e a qualidade de vida do pessoal.

Essas duas funções necessitam atuar em conjunto para alcançar os resultados esperados.

Por fim, enfatizamos que o estudo dessa abordagem é extenso, merecendo a sua atenção com mais pesquisas complementares.

Confira a bibliografia abaixo utilizada para consultas posteriores.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BIASSI, Fábio. O trabalho e as organizações na perspectiva sócio-técnica; RAE-Revista de Administração de Empresas, vol. 34, n. 1, 1994.

CHIAVENATO, Idalberto. Recursos Humanos – O capital humano das organizações; São Paulo, editora Campus, 2009.

NOVO, Luciana. Teoria dos sistemas abertos e abordagem sioctécnica; Repositório SaberCom da FURG. Acesso em: 20 de fevereiro de 2020

Emery, F. E. & Trist, E. L. Socio-technical systems. In: Systems thinking, editado por F. E. Emery, Penguim, 1969.

Leonardo Marioto

Leonardo Marioto

Servidor público. Músico e escritor nas horas vagas. É também responsável pelo maior site de humanas do Brasil! Formado em Administração pela UNICEP, com especialização em Gestão Organizacional e de Pessoas pela UFSCar.

Compartilhe:

Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on linkedin

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Posts recentes

Posts populares