Crise Financeira de 2008 e a Invasão do Capitólio nos EUA

economistas entendem que a crise de 2008 foi a pior já vista pelo capitalismo desde o crash das bolsas de 1929, que levou à chamada Grande Depressão na década seguinte
Invasão do Capititólio nos EUA
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O que a crise de 2008 tem a ver com a manifestação pró-Trump ocorrida semanas atrás?

Confira abaixo tudo sobre essa e outras importantes questões!

Antes, indicamos também a leitura do post que explica sobre o funcionamento das eleições nos EUA.

O dia 06 de janeiro de 2021 ficou marcado por um ato de apoiadores de Donald Trump que culminou na invasão do Capitólio.

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Grosso modo, o Capitólio é o prédio onde se reúnem membros do legislativo dos Estados Unidos.

Na ocasião da confirmação da vitória do candidato democrata Joe Biden, ele foi alvo de protestos violentos e antidemocráticos.

Militantes de extrema-direita

As cenas que chocaram o mundo terminaram com diversas prisões e ao menos cinco mortes.

Na verdade, as imagens mostram uma vasta multidão de militantes de extrema-direita movidos pelo discurso do ex-presidente.

Mas, afinal, o que de fato aconteceu naquele evento?

Aqui, faremos algumas discussões para entendermos, ao menos em linhas gerais, os fatos em torno dessa invasão.

Um luta pelas democracias no mundo

Além do problema da invasão em si, cabe também a reflexão sobre o quanto fatos como esse implicam na qualidade das democracias ao redor do mundo.

Antes de mais nada, é necessário olhar a história recente para pensarmos em como se construiu esse fenômeno político.

Continue conosco e aprenda mais sobre esse importante “evento” que fará parte de nossa história!

A crise de 2008 e a ascensão das extremas-direitas no mundo

Alguns economistas entendem que a crise de 2008 foi a pior já vista pelo capitalismo desde o crash das bolsas de 1929, que levou à chamada Grande Depressão na década seguinte.

Mas o que ela foi, exatamente?

Os motivos da crise de 2008

A crise de 2008 foi provocada por uma “bolha imobiliária” criada nos Estados Unidos.

Em resumo, uma bolha imobiliária consiste numa situação em que vários bancos passam a oferecer mais crédito, expandindo o crédito imobiliário de consumidores e atraindo mais e mais clientes.

No decorrer do tempo, a alta da procura de crédito faz com que os juros subam, assim como os preços dos imóveis.

Como muitos desses empréstimos foram de alto risco, muitas pessoas não tiveram como pagá-los durante sua alta, o que descapitalizou os bancos, ocasionando a crise.

Financiamento a juros baixos

Durante parte dos anos 1990 e 2000, sobretudo, bancos começaram a financiar imóveis a juros baixos, mesmo a pessoas cuja renda não era suficiente para pagá-los.

Já imaginou o problema?

O preço dos imóveis foi subindo porque muitas pessoas procuravam comprar imóveis, mas não necessariamente porque áreas se valorizavam.

Na verdade, muitos imóveis foram sendo financiados a preços muito acima do que efetivamente valiam, devido à especulação e oferta de crédito, para uma multidão de pessoas que não conseguiam pagá-los.

Estagnação de renda familiar e colapso bancário

Isso aconteceu juntamente com uma estagnação da renda das famílias nos Estados Unidos, o que contribuiu para a inadimplência.

O resultado foi caótico.

Muitas instituições financeiras e imobiliárias passaram a quebrar, o que posteriormente afetou as instituições de finanças maiores.

Um marco da crise foi a quebra do banco Lehman Brothers seguida de uma recusa do governo estadunidense de salvá-lo com dinheiro público.

Sede do Lehman Brothers
Sede do banco Lehman Brothers no dia de sua falência – Imagem por Robert Scoble. Licença CC BY 2.0

Isso levou bolsas ao redor do mundo ao colapso, uma vez que a maioria dos investidores passou a resgatar suas aplicações, diminuindo a liquidez do mercado.

Atuação do Federal Reserve System

Apesar da “demora”, o Banco Central dos Estados Unidos agiu após a quebra do Lehman Brothers.

O Fed atuou de maneira intensa “emprestando” dinheiro a instituições, além de intervir em outros momentos de instabilidade financeira.

Sobre o assunto, indicamos o artigo da SciELO “A atuação do Fed antes e depois do estouro da bolha imobiliária“.

A resposta dos governos à crise de 2008

Pois, então! Chegamos aqui a um ponto crucial onde explicaremos a relação da crise de 2008 com a ascensão das extremas-direitas.

A resposta dessa questão está no que os governos, ao redor do mundo, fizeram com tal grave recessão.

É possível resumir o curso das ações dos governos ao redor do mundo depois da grande crise de 2008 sob dois imperativos.

A perspectiva adotada de maneira hegemônica nas políticas econômicas ao redor do mundo foram precisamente: políticas de austeridade e salvamento de bancos e instituições financeiras mundo afora.

Sistema privado bancário bancado pelo público

O jornalista estadunidense Chris Hedges (2019), autor de vários livros, colunista do site de notícias Truthdig, publicou um texto em que mostra que o mundo ao todo gastou o equivalente a 22 mil dólares por habitante no planeta.

Jornalista e autor Chris Hedges
Jornalista e autor Chris Hedges – Imagem por Chris Hedges. Domínio Público

Esse enorme gasto tinha um só endereço: o sistema bancário.

Pode parecer exagerado, mas a depender da forma como se conta, o total de custos para recapitalização e outras formas de salvamento de bancos chega à ordem de dezena de trilhões.

A título de comparação, o Produto Interno Bruto dos Estados Unidos é de cerca de 20 trilhões de dólares e, da China, em torno de 15 trilhões.

A absoluta liberdade de mercado, mas nem tanto

Curiosamente, isso ocorre no ápice do consenso mundial sobre políticas neoliberais.

A doutrina econômica neoliberal, grosso modo, busca deslegitimar o papel do Estado como ator da economia, mas faz com que este assuma importância central para salvar empresas privadas do sistema financeiro (c.f. Menezes; Ramos, 2018).

E de onde vem esse dinheiro estatal?

A fonte do financiamento neoliberal

Esses montantes vêm de cortes de políticas sociais, privatizações e uma diminuição do Estado.

Isso impacta exatamente nas políticas públicas, renda das famílias, seguridade social, entre outras políticas importantes para a maioria da população ao redor do mundo.

Acho que você compreendeu!

Dito de outro modo, a resposta dos governos e organismos internacionais no mundo todo foi de menos seguridade e recursos para a maior parte da população, um “sacrifício” de todos, para que houvesse um robusto aporte de recursos para o setor financeiro, a fim de contornar a crise.

Crise de 2008 e o novo papel da gestão pública

O processo de justificar isso sem provocar um grande caos social passou por uma despolitização das políticas econômicas, como explica Fabrício Luiz Fernandes Marcos (2018).

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Despolitizar, nesse caso, significa reduzir esse tipo de escolha de política econômica a uma dimensão técnica, como se não houvesse alguma outra alternativa razoável e que isso não significasse escolhas políticas deliberadas.

Desse modo, foram surgindo movimentos importantes como o Occuppy Wall Street, movimento contra desigualdade econômica e social, e outros ao redor do planeta.

Em 15 de março de 2012, ativistas do movimento Occupy Wall Street “mudaram-se” em frente à uma agência do Bank of America. Eles defendiam: ”o banco levou nossas casas, então vamos morar com eles” – Imagem por Mike Fleshman. Licença CC BY-SA 2.0

Esses formaram significativo substrato crítico às políticas de austeridade que estavam sendo adotadas mundo afora.

Eles apontavam para a contradição de que a defesa do Estado mínimo e dos sacrifícios impostos a esse tipo de política impactavam somente aos mais pobres, ao passo que havia um “Estado máximo” aos bancos e sistemas financeiros.

Mas afinal, o que tem a ver a extrema direita nisso tudo? Acesse:

O que a Extrema Direita tem a ver com a Crise Financeira de 2008?

Gostou do texto?! Conte-nos mais nos comentários!

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AVILA, Arthur Lima de. “A Causa Perdida”: memória da Guerra Civil nos Estados UnidosCafé História. Publicado em 05 out. de 2020. Acesso em 13 jan. 2021.

DEVEREAUX, Ryan. Invasão do Capitólio foi abertamente planejada, mas ignorada pela polícia. The Intercept Brasil. Publicado em 08 jan. de 2021. Acesso em 03 jan. 2021.

HEDGES, Chris. Assim arma-se a próxima crise financeira. Trad. Antonio Martins. Outras Palavras. Publicado em 15 ago. 2019, atualizado em 24 dez. 2019. Acesso em 13 jan. 2021.

HOCKENOS, Paul. Livres para odiar neonazistas: ameaça e poder. Trad. Esther Ann Henningsen. São Paulo: Ed. Scritta, 1995.

MARCOS, Fabricio Luiz. Fernandes. Antipolítica e Democracia no Pós-2008:  Um Estudo sobre os Mecanismos de Despolitização da Esfera Pública no Brasil Atual. (Dissertação): Mestrado em Ciência Política. Lisboa: Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas – Universidade de Lisboa, 2018.

MENEZES, Roberto Goulart; RAMOS, Leonardo. 10 anos da crise financeira (2008-2018): Leituras e interpretações. Conjuntura Internacional • Belo Horizonte, ISSN 1809-6182, v.15 n.2, p.1 – 2, ago. 2018. doi: 10.5752/P.1809-6182.2018v15.n2.p13.

Historiador de formação e comenta sempre sobre política.
Além disso, aprecia uma boa cerveja, rock e metal. É ainda mestre e doutor em História pela UFMG.

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