Diversidade Racial nas Empresas: Conceito, Interesses e Exemplos Reais!

mesmo com uma população em que mais da metade se declara negro ou pardo, a grande maioria dos cargos de chefia, postos de gerência e vagas executivas não são ocupados por pessoas pretas
Mãos humanas
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Hoje um tema que vem ganhando muita força nas discussões políticas e empresariais de nosso país é a diversidade racial nas empresas.

Vamos debater um pouco sobre essa importante e atualíssima questão!

Diversidade racial nas empresas, o início da discussão

A inclusão do debate da diversidade racial no Brasil teve seus primeiros passos dados pelo terceiro setor e pelas instituições públicas.

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Após isso, chegou até às organizações privadas com uma ênfase na necessidade de realizar ações para a promoção de espaços democráticos, igualitários e seguros para todos.

Assim, a discussão do tema dentro das empresas brasileiras começou a ser promovida por dois diferentes vieses.

Interesses sociais e econômicos

O primeiro deles é a questão social; o segundo, o interesse econômico.

As instituições começaram a se dar conta dos impactos sociais que eram capazes de promover em uma determinada comunidade.

Na medida do possível, as empresas definem as características de diversas regiões pela sua existência, influenciam em hábitos, costumes e cultura.

Impactos sociais

Analisando pelo viés social, as comunidades perceberam que também é papel das empresas atuarem na busca pelos espaços representativos, bem como pelas mudanças de costumes e tradições, quando estas são alicerçadas em violência, exclusão e abusos, como de fato é o racismo.

Impactos econômicos

Sob o prisma econômico, as organizações perceberam que, onde existem ações que integram e interagem com o público diverso, existem maiores chances de encontrar talentos e formar equipes diferenciadas.

Luiza Helena Trajano do Magazine Luiza
Luiza Helena Trajano, presidente da rede de lojas Magazine Luiza, que desenvolveu programa de trainee exclusivo a pessoas pretras

Apesar disso tudo, ainda há muito a ser feito na busca da igualdade racial e de representatividade nos espaços, principalmente nos papéis de poder e tomada de decisão.

Racismo estrutural e a diversidade racial nas empresas

Mesmo com uma população em que mais da metade se declara negro ou pardo, a grande maioria dos cargos de chefia, postos de gerência e vagas executivas não são ocupados por pessoas pretas.

A diversidade racial nas empresas não é efetiva pois tem como impedimento alguns elementos nocivos da sociedade como o racismo estrutural: forma de preconceito presente no comportamento das pessoas, naturalizada por tradições distorcidas e intolerantes, aumentando a desigualdade entre grupos raciais. 

Racismo estrutural como estilo de vida

Diferente de ações racistas individuais, o racismo estrutural faz parte do modo de vida de determinados círculos sociais, sendo reafirmado por ações que segregam repetidamente pessoas pretas, colocando-as em posições hierárquicas inferiores.

Ao normalizar esse tipo de comportamento, surge outro fenômeno nocivo à efetividade da diversidade racial nas empresas: o racismo institucional.

O preconceito vivido nas empresas

Quando olhamos para os cargos de liderança e tomada de decisão nas organizações, notamos a falta de representatividade e diversidade nesses locais. 

A população negra em sua maioria ocupa cargos operacionais e de auxílio nos processos, perdendo seu espaço de fala e notoriedade.

O racismo institucional amplia os abismos sociais, criando a cultura da discriminação e segregação de pessoas. 

Um bom exemplo disto, é o tratamento dado por forças policiais para pessoas pretas e brancas, gerando dados estatísticos alarmantes sobre a violência policial contra negros, principalmente jovens periféricos. 

Conforme um estudo realizado pela Rede de Observatórios em Segurança Pública, 86% dos 1.814 mortos pela PM-RJ, no ano de 2019, eram negros.

Para saber mais sobre racismo institucional, acesse o nosso artigo abaixo:

Vantagens na competitividade empresarial

É perceptível que muito do movimento pela busca da diversidade racial nas empresas é alavancado pelo apelo econômico que a vantagem competitiva traz para elas. 

Inúmeros são os benefícios.

Dentre eles, podemos citar:

  • Boa postura ética perante clientes e colaboradores;
  • Desempenho financeiro fortalecido;
  • Menor rotatividade de mão-de-obra e maior produtividade;
  • Sensação de satisfação do funcionário ampliada;
  • Menor vulnerabilidade perante leis trabalhistas;
  • Imagem empresarial valorizada;
  • Retenção e descoberta de talentos, entre outros.

Diversidade racial aplicada na prática

Teoria comportamental na administração
Imagem por NESA by Makers em unsplash.com

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Empresas internacionais e brasileiras já estão tomando atitudes que visem a obtenção de diversidade racial no âmbito empresarial. 

Essas boas práticas incluem programas de mapeamento de talentos, desenvolvimento de habilidades e vagas especialmente destinadas a pessoas negras, visando reduzir as desigualdades e criar oportunidades.

O buscador mais famoso do mundo

O gigante Google começou, em junho passado, a enfrentar o problema criando metas ao grupo de empresas do conglomerado para promoverem a representatividade. 

O objetivo é aumentar em 30%, até 2025, o número de pessoas pretas em posições de liderança na empresa.

Além disso, o Google conta com um Conselho de Diversidade, formado por profissionais da empresa que discutem ações para empoderar e fomentar a diversidade racial. 

No Google Brasil há o coletivo AfroGooglers, um comitê interno de funcionários negros que debate e articula em prol de equidade racial no ambiente de trabalho.

Logo tipo da empresa Google
Imagem por Graphist and Operator Printing machines solvent/eco-solvent em pixabay.com

O foco do grupo não é apenas a contratação de profissionais, mas entender as demandas das comunidades e como uma organização global como o Google pode ter uma postura ativa e influenciadora na promoção da diversidade.

Ainda no universo do Google, existe a Black Founders Fund, uma fundação criada por iniciativa da empresa com o objetivo de patrocinar startups estabelecidas e dirigidas por empreendedores pretos.

A companhia de “táxi”

A gigante da mobilidade urbana, 99, reviu seus processos de contratação e agora foca na descoberta de talentos em pessoas negras.

Ela acredita que dessa forma pode alcançar candidatos com o mesmo nível de qualidade, mas com habilidades diferenciadas, como a flexibilidade ou a vivência de outras experiências que propiciam a proposição de soluções diversificadas.

A empresa de Luiza Trajano

Entre as empresas brasileiras que estão empenhadas em viabilizar a igualdade racial, o Magazine Luiza recebe destaque pela criação de um programa de trainee exclusivo para pessoas negras.

A ideia recebeu algumas críticas, mas estas foram muito positivas na provocação de um debate sobre a posição das pessoas no combate ao racismo e o papel de todos na reparação dos erros históricos cometidos contra os negros.

Confira abaixo trecho da entrevista de Luiza Trajano sobre o programa de trainee para negros:

“Além dos rótulos”

Ainda salientando iniciativas nacionais, a Ambev criou o Programa Estágio Representa

Esse projeto busca propiciar a inserção no mercado de trabalho e a oportunidade de desenvolvimento para afrodescentes. 

Além de ser voltado para a promoção da diversidade, o Representa traz benefícios adicionais além daqueles fornecidos no programa de estágio da empresa, com o objetivo de tornar mais completa a experiência do candidato

Os benefícios complementares são: salário extra no primeiro mês de estágio, curso de inglês pago pela Ambev, mentoria, apoio psicológico, orientação financeira e jurídica.

Para além da diversidade racial nas empresas

Assim, fica bem evidente que a diversidade racial acarreta muitas vantagens para as organizações. 

Um ambiente diverso gera valor para a empresa, produz equipes mais completas e que, no futuro, serão capazes de fornecer melhores soluções sob pontos de vista diferenciados.

Ainda é preciso muito!

Entretanto, como destaca Igor Rocha (2020) em nossa publicação sobre racismo institucional, “existem elementos muito enraizados e que precisarão de algo muito mais significativo do que ações organizacionais pontuais para enfrentar o problema.”

Portanto, é apenas o começo de uma grande e complexa batalha, e que, por sua evidente importância, merece toda a nossa atenção!

Nessa perspectiva, o IREE – Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa – busca discutir mais profundamente as questões raciais no curso “Racismo e Política: Questões Contemporâneas“.

São 14 aulas divididas em módulos específicos, como Teorias sobre o racismo, Perspectivas jurídicas, econômicas e muito mais!

Para saber mais, acesse:

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

LUNA, Ylena. Estudo sobre violência policial revela “racismo institucional” na PM de SP. Acesso em 24/02/2021.

ROCHA, Igor. Racismo Institucional: Um Mercado de Trabalho Preto e Branco. Acesso em 24/02/2021.

 MYERS, Aaron. O Valor da Diversidade Racial nas Empresas. Estudos Afro-Asiáticos, Ano 25, no 3, 2003, pp. 483-515. Acesso em 24/02/2021.

MACIEL, Rui. Como o Google trata a Diversidade Racial. Acesso em 24/02/2021.

PATI, Camila. Ambev abre estágio exclusivo para negros e vai pagar curso de inglês. Você RH. Acesso em 24/02/2021.

MIRANDA, Eduardo. Violência tem Cor. Brasil de Fato RJ. Acesso em 25/02/2021.

Apaixonada por literatura e marketing. É formada em Administração pela UNIPAMPA, com especialização em Gestão Empresarial. Além de docente em cursos de educação profissional, atua também nas áreas de tecnologia e marketing digital.

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