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Júlio César: Político, Imperador ou Gênio de Roma?

apontam-no com adjetivos que vão de ditador a gênio da tática militar, passando por grande pensador político e estrategista

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Nascido por volta do ano 100 antes da nossa era, Júlio Cesar (registrado como Caio Júlio Cesar ou Caius ou Gaius Ilius Caesar, do latim) é uma figura histórica que chama a atenção para muito além de seu tempo.

A historiografia, tanto a da antiga Roma quanto a da modernidade, apontam-no com adjetivos que vão de ditador a gênio da tática militar. Passando ainda por grande pensador político e estrategista.

De fato, Júlio César marca o final da República Romana (509 a.c. – 49 a.c.) e é um precursor de um grande período daquele império.

Júlio César
Escultura de Júlio César – Imagem por Couleur em pixabay.com

   

Júlio César como produção literária

Acima de tudo, a imagem de Júlio César atravessou os tempos. E uma das formas foi através da produção literária.

William Shakespeare - Julio Cesar
Júlio César, William Shakespeare

A mais conhecida é a tragédia “Júlio César”, de William Shakespeare, provavelmente escrita em 1599 que narra sua ascensão e suas consequências posteriores.

No século do Iluminismo, sua figura foi evocada de diversas maneiras.

Pensadores, acima de tudo, buscavam em sua figura elementos que servissem tanto para exaltar valores republicanos quanto para depreciar estruturas monárquicas e absolutistas.

Logo, percebe-se que a figura de César foi sempre bastante controversa.

Júlio César na figura de Montesquieu

Ainda nesse contexto, destaca-se o caso de Montesquieu, em sua famosa “Considérations sur les causes de la grandeur des Romains et de leur décadance“.

A obra foi publicada originalmente em 1734. Ali, é relatado que uma das causas da decadência daquele império foi sua concentração de poder em única figura, de maneira similar aos monarcas daquele século.

Interessante ressaltar que o período monárquico teve seu marco inicial justamente com o imperador de Roma.

É também muito pertinente examinar algumas das fontes nas quais diversos autores, que vão de literatos a filósofos, passando, claro, por historiadores, visitam esta riquíssima biografia.

Plutarco, Vidas Paralelas

Uma das mais célebres biografias foi a escrita por Plutarco, em “Vidas Paralelas“, que representou a vida do imperador a partir da vida de outro general, Alexandre Magno.

Vidas Paralelas, Plutarco
Vidas Paralelas, Plutarco

Essa obra foi importante não somente por mostrar aspectos de sua vida e trajetória, como também por inovar em termos de estilo literário. Ela se propôs a narrar uma trajetória comparando personagens romanos e gregos.

   

Suetônio, A Vida dos 12 Césares

Não menos importante é a biografia elaborada por Suetônio (Gaio Suetonio Tranquilo), que escreveu “A Vida dos 12 Césares“, dentre os quais o próprio Júlio César, já no século II de nossa era.

Notam-se nas mais famosas biografias antigas focos narrativos distintos.

Plutarco, aspectos filosóficos; Suetônio, a humanização de Júlio César

Por um lado, Plutarco buscava demonstrar os aspectos filosóficos. Ressaltava o caráter do biografado, sobretudo na narrativa de um caráter moralizante.

Suetônio, em outra ótica, optou por um estilo minuciosamente descritivo. Ele se valeu de boatos e descrições físicas de César, humanizando sua figura, embora não deixasse de ressaltar seus grandes feitos.

Júlio César em Paris
Estátua de Júlio César, em Paris – Imagem por Siren-Com. Licença CC BY-SA 3.0

Dessa forma, Plutarco ressaltava aspectos como a inteligência e coragem. Acrescentava, em sua narrativa histórica, virtudes morais à figura de Júlio César.

Mesmo assim, não abria mão do rigor da análise e disposição cronológica dos fatos, segundo as fontes que lhe eram disponíveis.

Suetônio, por sua vez, ligava os grandes feitos de César à sua intensa atividade militar.

Enfatiza também fatos relacionados à sua subida ao poder. Valeu-se de um esquema de cotejo, notícias e boatos sobre sua vida pessoal, acrescentados em sua narrativa histórica.

Conclusão

Em síntese, a figura deste imperador atravessa eras, desperta reflexões e traz debates diversos.

As multiplicidades de narrativas, certamente, contribuem sobremaneira à continuidade de seu legado na cultura contemporânea.

Definitivamente, vale a pena conferir os livros indicados para um entendimento mais aprofundado desse enigmático homem.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CAWTHORNE, N. Os 100 maiores líderes militares da história. 2. ed. Rio de Janeiro: Difel, 2010.

FERREIRA, José Ribeiro. Grécia e Roma na Revolução Francesa. Revista de História das Ideias, volume 10, p. 203-234, (1998).

FRANÇA, T.; VENTURINI, R.L.B. Um estudo sobre a “as vidas dos doze césares” de Suetônio. In: VIII Jornada de Estudos Antigos e Medievais, Maringá, Anais, nov. 2010.

SILVA, Maria Aparecida de Oliveira. Plutarco Historiador. São Paulo: Edusp, 2006.

DOCUMENTOS HISTÓRICOS

MONTESQUIEU, Charles de Secondat, Baron de. Considérations sur les causes de la grandeur des Romains et de leur décadance [1734]. Paris: Ouvres completes II, Bibliothèque de la Pléiade, 1951.

PLUTARCO. Vidas paralelas: Alexandre e César. Porto Alegre: L&PM, 2009.

SHAKESPEARE, William. The Tragedie of Julius Caesar [1599]. Trad. Beatriz Viêgas-Farias. Porto Alegre: L&M Pocket.

SUETÔNIO. A vida dos doze césares [sec. II]São Paulo: Martin Claret, 2006.

   

SUETÔNIO E PLUTARCO. Vidas de César. São Paulo: Estação Liberdade, 2007.

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