Primeira Revolução Industrial: A Evolução das Máquinas

o homem sofreu uma significativa mudança no seu trabalho, deixando de ser o ator principal de sua própria obra e passando a concorrer em um mercado com baixos salários e jornadas exaustivas

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A Primeira revolução industrial deu início a profundas mudanças nas configurações de relação entre pessoas, organizações e trabalho.

No post anterior, destacamos os aspectos e fatos mais primitivos das primeiras formas sociais organizadas, sobretudo com a prática administrativa.

Assim, fizemos uma longa viagem às antigas civilizações, que datavam muitos anos A.c., como a dos povos sumerianos a 5.000 anos antes de Cristo.

   

Partiremos, agora, à explicação da evolução humana em decorrência da Primeira revolução industrial, de 1780 a 1860.

primeira revolução industrial
Locomotiva de ferro – Imagem por Ralf Schneider em pixabay.com

Invenções iniciais: Do século III a.C a 1679

A Primeira revolução industrial acontece a partir do final do século XVIII, mais precisamente na Inglaterra, por volta do ano de 1712, com a criação da máquina a vapor. Esta que foi idealizada pelo inventor Thomas Newcomen.

Contudo, apesar de Newcomen, muito tempo antes, no século III a.C., o primeiro protótipo de máquina a vapor já havia sido criado por um estudioso grego. Heron, como era conhecido, era matemático e viveu em Alexandria, no Egito.

No ano de 1679, o físico Papin também elabora uma máquina térmica que utilizava vapor como impulsionador de um mecanismo com êmbolo e cilindro. Esta possuía semelhanças com as nossas velhas e atuais panelas de pressão com válvulas de segurança.

A primeira máquina a vapor de interesse industrial

Em 1698, Thomas Savery criou a primeira máquina a vapor de relevância industrial.

O mecanismo formulado por Savery possuía a finalidade de retirar água de poços. No entanto, por ser alimentada a vapor de alta pressão, tinha uma alta capacidade explosiva.

A partir das invenções de Savery e Papin, Thomas Newcomen, um ferreiro em Dartmouth, por volta do ano de 1712, elaborou uma nova máquina com capacidade de içar vários tipos de cargas. Além disso, alcançava minas com maior profundidade e com menor perigo.

Tudo isso fez com que sua invenção fosse um grande sucesso à época na Europa.

A máquina de Watt, em 1765

Máquina de Watt
O motor a vapor de James Watt que impulsionou a Revolução Industrial – Imagem por Nicolás Pérez. Licença CC BY-SA 3.0

   

Alguns anos depois, em 1765, o matemático e engenheiro James Watt, aperfeiçoando o modelo de Newcomen, construiu uma máquina com finalidades semelhantes, mas ainda mais eficiente e com menos custos de funcionamento.

A máquina de Watt, para muitos, foi a grande invenção que, definitivamente, impulsionou o acontecimento da Primeira revolução industrial.

Todavia, pode-se dizer que tanto Newcomen quanto Watt contribuíram significativamente para os avanços tecnológicos desse período.

Mais à frente, em meados de 1804, foram surgindo diversas outras máquinas a vapor, como as de Richard Trevithick, locomotivas capazes de carregar pessoas e, até mesmo, barras de ferro retiradas das minas de carvão.

Primeira revolução industrial, o início

Como dito antes, a Primeira revolução industrial começa a se movimentar a partir das invenções de Newcomen e James Watt.

A Revolução, a princípio, dá-se na Inglaterra que era considerada a então “oficina do mundo”.

Fundamentalmente, as transformações influenciaram duas frentes interdependentes: a produção de bens de consumo, como têxteis; e a transformação da energia primária em energias a vapor, antes produzidas especialmente pelo homem.

É importante destacar que a produção era antes realizada por trabalhadores com habilidades específicas, os chamados artesãos. Estes eram contratados por suas habilidades manuais.

As substituições nos meios de produção, alteraram visceralmente a vida desses operários.

Novo enfoque industrial

Com a chegada da Primeira revolução, as indústrias focaram em aprimoramentos mecânicos e tecnológicos, buscando aumentar o potencial de produção, assim como a redução de seus preços.

Como consequência dessa mudança, a perspectiva empresarial passa a ser mais sistemática, abrangente e de médio e longo prazo.

O avanço tecnológico, então, dá causa a novas formas de produção, revolucionando o que se conhecia sobre trabalho e lucro.

Mas isso tudo só foi possível graças a algumas características que existiam naquele momento na Inglaterra.

Mastodontes: A história da fábrica
Mastodontes: A história da fábrica e a construção do mundo moderno, Joshua B. Freeman

Por que revolução industrial na Inglaterra?

Com o fim da monarquia absolutista, a burguesia estabeleceu-se como classe e empurrou a economia inglesa em direção ao capitalismo.

Ao tornar-se a classe de poder dominante e viver em uma monarquia constitucional, que é caracterizada pela limitação do poder real, a burguesia inglesa lançou mão de ferramentas como o Ato de Navegação.

Esse ato determinava que todas as mercadorias de importação e exportação deveriam ser transportadas por embarcações inglesas. Com isso, procuravam proteger os seus negócios, além de reduzir a concorrência.

Assim, o fortalecimento econômico da Inglaterra permitiu à classe burguesa a acumulação de capital.

Dessa forma, puderam também investir em pesquisas para desenvolverem a criação de novas máquinas e tecnologias.

Conseguiram também aperfeiçoar o processo de produção e financiar a construção de fábricas, principalmente têxteis, que eram o foco juntamente com indústrias de carvão e ferro.

Esses produtos foram a base da industrialização inglesa no final do século XVIII.

Para efeitos de elucidação, destaca-se abaixo o expressivo aumento dos PIBs durante a primeira e segunda revoluções:

primeira revolução industrial
Representação gráfica da produção manufatureira entre os anos de 1750 e 1900 – Imagem por TwoOneTwo transferida à wiki Commons. Licença CC BY-SA 3.0

Evidencia-se, no entanto, que, apesar dos muitos pontos positivos, os trabalhadores foram sendo substituídos por máquinas capazes de gerarem quantidades muito maiores de resultados.

Além disso, o custo para essa produção era drasticamente menor, pois um só homem poderia manusear diversas máquinas de uma só vez.

Quer testar os seus conhecimentos a respeito da Primeira revolução industrial?! Acesse “Qual foi a maior contribuição da Revolução Industrial para a consolidação do Capitalismo?

A precarização do trabalho com a Primeira revolução industrial

   

A partir deste momento, o homem também sofreu uma significativa mudança em seu trabalho. Em outras palavras, deixou de ser o ator principal de sua própria obra e passou a concorrer em um mercado com baixos salários e jornadas exaustivas.

Com salários reduzidos a menos da metade da época em que predominava a manufatura, ou seja, modo de produção manual que utilizava a capacidade artesanal de quem produzia, a maquinofatura trouxe jornadas extenuantes de até 16 horas por dia.

Além disso, acidentes de trabalho e outras enfermidades marcaram as suas vidas.

Surgimento de associações sindicais

Todos os excessos cometidos pelas grandes indústrias levaram os trabalhadores a se organizarem e lutarem em prol de seus direitos.

Buscavam uma maior representatividade nos espaços de fala sociais e políticos.

Essas organizações ficaram conhecidas como trade union, na Inglaterra, e sindicatos, no Brasil.

Movimentos operários da Primeira revolução industrial

Nessa toada, a revolução industrial inglesa fez surgir uma classe operária que vivia sob condições precárias.

Os que eram antes camponeses ou donos de rocas e teares transformaram-se em mãos-de-obra no sistema capitalista.

Contudo, essa mudança propiciou o desenvolvimento de dois importantes movimentos operários em que ambos lutavam pelos direitos dos trabalhadores.

Esses movimentos distinguiram-se em duas frentes, denominando-se de ludismo e cartismo.

Ludismo

De um lado, o movimento ludista tem o nome originado de um personagem chamado Ned Ludd, cuja criação deu-se com o intuito de difundir o movimento entre os trabalhadores.

Eles eram conhecidos principalmente por invadir as fábricas e destruir equipamentos como forma de protesto.

Ludismo
Gravura mostrando dois ludistas destruindo uma máquina de fiar – Imagem por Chris Sunde. Domínio Público

O ludismo foi fortemente repreendido, tanto pelos donos das indústrias quanto pelas forças militares, dando espaço ao segundo movimento, o cartismo.

Cartismo

Os cartistas, como eram conhecidos, também lutavam por melhores condições de vida e trabalho.

No entanto, focavam por uma maior conquista de direitos políticos e possuíam uma postura mais tênue em relação ao movimento ludista. Em vez da “destruição”, enviavam cartas, agora, ao parlamento inglês, pautando suas reivindicações.

Eles também lutavam pelo que ficou conhecido como sufrágio universal masculino, ou seja, o direito ao voto, sendo representados pela Associação Geral dos Operários de Londres (London Working Men’s Association).

Após o fim dos movimentos, foram criadas diversas leis a fim de combater a exploração dos trabalhadores e, também, intermediar as conflituosas relações entre a burguesia industrial e seus operários.

O poder da revolução das máquinas

Em meio a todos esses embates, a revolução industrial, mais especificamente a primeira, teve como principal consequência a substituição do homem.

Este que era possuidor das ferramentas e dos meios de produção foi trocado pelas máquinas e sistemas fabril.

Fábricas químicas da BASF
Fábricas químicas da BASF em Ludwigshafen, em 1881, na Alemanha – Imagem por Robert Friedrich Stieler. Domínio Público

Em resumo, é possível destacar algumas características principais, as quais ofereceram oportunidade ímpar para a criação de um novo conhecimento.

Essa nova ciência tinha a responsabilidade de aumentar e controlar uma inédita forma de produção que surgia.

A automatização da indústria e agricultura, o aumento de tamanho e de produção das fábricas, a aceleração e desenvolvimento dos meios de transportes, com a navegação e locomotivas a vapor, por fim, o aperfeiçoamento das comunicações, demandaram o desenvolvimento de técnicas administrativas.

Administração científica

Nesse sentido, começou a ser desenvolvida a ciência da administração.

Os conceitos que antes eram aplicados tão somente de forma mais prática pelas civilizações antigas, ou pensados apenas por filósofos, passaram a ganhar uma nova e importante dimensão.

Evolução em decorrência de necessidades

As teorias administrativas, nessa perspectiva, foram se estruturando à medida que as necessidades de métodos mais apurados de trabalho iam surgindo.

Em 1903, já a partir da Segunda revolução industrial, o norte-americano Frederick Winslow Taylor publica o livro “Administração de Oficinas”, no qual ele procura demonstrar as suas ideias para a prática administrativa.

Essas ideais deram origem à “Teoria da Administração Científica”, sendo considerada um dos primeiros modelos sistematizadores dessa ciência.

Princípios de Administração Científica
Princípios de Administração Científica, Taylor

Princípios como planejamento, treinamento, controle e execução passaram a ser buscados e implementados nas organizações.

O vídeo abaixo explica de forma simples e objetiva os principais pontos da teoria científica de Taylor:

Conclusão

Como resultado, a Primeira revolução industrial foi o pontapé inicial para o surgimento da administração como ciência propriamente dita, elevando a sua história a patamares jamais antes vistos.

Diversas outras áreas do conhecimento certamente também se aproveitaram da modernização.

Vale ainda considerar que as teorias se manifestaram, de fato, após a Segunda revolução. Isso se deu devido ao intenso processo de industrialização que se alastrou pelo mundo.

Invariavelmente, novas tecnologias e novas formas de estruturas organizacionais despontaram.

Logo, as revoluções industriais causaram, e ainda causam, importantes transformações tanto positivas quanto negativas nas relações de trabalho.

Essas influências, na verdade, excedem às relações trabalhistas, modificando sobremaneira a forma como o ser humano enxerga a si mesmo, o vê em relação ao outro e também aos próprios objetos que o circundam.

Por Leonardo Marioto  e Daiéli Duarte dos Anjos

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Medeiros, Felipe Lima de, & Prado, Luiz Carlos Delorme. (2019). A Teoria Protoindustrial: origem, desenvolvimento e atualidadeEstudos Econômicos (São Paulo)49 (1), 131-161.

Silva, Daniel Neves. Pioneirismo inglês na Revolução Industrial. Acesso em: 13 de março de 2020.

Pochmann, Marcio. Capitalismo e desenvolvimento. In: Brasil sem industrialização: a herança renunciada. Ponta Grossa. Editora UEPG, 2016.

Cruz, Juliana Machado. Teorias da Administração. Acesso em: 14 de março de 2020.

Feder, Franklin Lee. (1972). The industrial revolution and economic growthRevista de Administração de Empresas12(2), 134-135.

Neves, Daniel & Sousa, Rafaela. Revolução Industrial. Acesso em: 06 de abril de 2020.

Centro de Referência em Ensino de Física. Máquinas a vapor. Acesso em: 3 de março de 2020.

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