Teoria Estruturalista da Administração: Origens, Conceitos e Críticas

a Teoria estruturalista surge na década de 50, com uma proposta de conciliar as Teorias clássicas e de Relações humanas da administração
Teoria estruturalista
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A Teoria estruturalista da administração tem suas origens diretamente interligadas ao próprio significado da palavra estruturalismo: um método científico baseado no estudo do todo levando em consideração as suas partes.

Falaremos aqui um pouco sobre as origens dessa teoria, sobretudo no campo da administração, os autores e ideias centrais, as relações com as organizações e, por fim, as principais críticas tecidas a ela.

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Você já conhece a teoria? Quer ir direto ao ponto? Acesse nossa estrutura de tópicos abaixo:

  1. Introdução à Teoria estruturalista
  2. Autores e ideias principais
  3. Teoria estruturalista e as organizações
  4. Críticas à Teoria estruturalista
  5. Conclusão

Introdução à Teoria estruturalista

Como dissemos, a Teoria estruturalista tem relação com o conceito denominado de estruturalismo.

Esse conceito tem sido difundido há bastante tempo e em muitas áreas científicas, como na física, nas ciências sociais e até mesmo na linguística.

Mas, o que há em comum no estudo de todas essas áreas? O simples fato de que o estruturalismo é, segundo Motta (1945), “um método analítico comparativo que pode ser aplicado em coisas diferentes, permitindo a comparação”.

Para simplificarmos, basta entender o estruturalismo como uma teoria cujo foco é o estudo das partes em relação ao seu todo!

Grosso modo, autores muito conhecidos, como Karl Marx, Max Weber e Lévi-Strauss fazem parte dessa corrente de pensamento.

“O todo é maior que a simples soma das partes”

E o que importa a todos esses autores? Importa que “o todo é maior do que a simples soma das partes”, como tentou definir Jean Pouillon (1968).

Dito isso, veremos a seguir as ideias e pensadores principais que fazem uso do estruturalismo dentro dos campos da administração e organizações em geral.

Teoria estruturalista na administração: autores principais

A Teoria estruturalista surge na década de 50 com uma proposta de conciliar as Teorias clássicas e de Relações humanas da administração.

Vimos que existem diversos autores muito conhecidos que estudaram sobre o tema presente.

Mas, em se tratando de organizações, destacamos alguns principais.

Max Weber

Teoria estruturalista
Max Weber (na frente com chapéu), economista e sociólogo alemão, durante uma conferência no Castelo de Lauenstein, Turíngia – Imagem por Guttorm Flatabø. Licença CC BY 2.0.

O primeiro, sem dúvida, é Max Weber que teve como preocupação maior encontrar e explicar a racionalização ideal entre os meios disponíveis e fins almejados.

Weber pretende responder a diversas perguntas para o alcance de uma racionalidade organizacional.

Para saber mais sobre o autor, indicamos o artigo “Burocracia: O Que É? Quais São os Seus Efeitos? Uma Visão Crítica do Conceito”.

Outras figuras importantes que buscaram adaptar o modelo de Max Weber à Teoria das relações humanas. Dentre elas estão Robert Merton, Phillip Selznick e Alvin Gouldner.

Amitai Etzioni

Amitai Etzioni é igualmente um nome de peso para o desenvolvimento da Teoria estruturalista na administração. 

O autor dá ênfase aos conflitos gerados dentro das organizações, principalmente aqueles denominados de “inevitáveis”, ou seja, divergências que fogem ao controle prescritivo burocrático.

Mais adiante, veremos as principais características e tipologias descritas por Etzioni.

Ideias principais da Teoria estruturalista

A Teoria estruturalista entende que todos nós vivemos em uma “sociedade de organizações”. 

Assim, pelo fato de passar a maior parte do tempo dentro de instituições, não é exagero dizermos que o indivíduo começa a criar uma situação de dependência delas.

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A figura do homem organizacional

Nesse sentido, elabora-se então a tese do homem organizacional, este que deverá moldar a sua personalidade agora voltada à “flexibilidade, a resistência à frustração, a capacidade de adiar as recompensas e o desejo permanente de realização”, conforme destaca Motta (1945) em seu livro “Teoria Geral da Administração: Uma Introdução”.

A maior parte do conteúdo desta publicação baseou-se nesse livro. Caso queira saber mais, acesse o link abaixo:

Teoria Geral da Administração, Fernando Motta e Isabella Vasconcelos
Teoria Geral da Administração, Fernando C. Prestes Motta

Logo, enquanto as Teorias clássicas e das Relações humanas enfatizavam o “homem econômico” e o “homem social”, respectivamente, a Teoria estruturalista desenvolve a figura de um indivíduo que está inserido e participa simultaneamente de diversas organizações.

Veja a seguir nosso infográfico que diferencia cada um dos modelos de homem que foram surgindo ao longo das teorias administrativas.

Receba a versão original em PDF deste infográfico:

A gestão dos conflitos

Grosso modo, as Teorias clássica e científica não acreditavam haver espaço para conflitos dentro das organizações. 

Já a Teoria das relações humanas abordava os conflitos como algo possível de ser eliminado por meio de técnicas de gestão.

Num outro sentido, a Teoria estruturalista defende a impossibilidade da eliminação total dos conflitos, não só dentro das organizações, mas também, na sociedade em geral.

Aqui, as tensões fazem parte das relações, existindo somente a possibilidade de minimizá-las, mas nunca eliminá-las.

Em se tratando de instituições, os conflitos giram em torno de interesses e necessidades organizacionais e individuais, bem como entre níveis hierárquicos distintos.

Logo, esses embates devem ser trabalhados e administrados para que não ultrapassem o “limite aceitável”. A eliminação absoluta não é o foco, pois não é viável.

Incentivos: monetários e psicossociais

No que tange aos incentivos, os estruturalistas procuraram juntar as observações dos teóricos clássicos e humanistas.

Ou seja, para eles tanto os incentivos monetários (homo economicus) quanto os sociais (homo socialis) são importantes para os indivíduos.

Procuraram, portanto, defender um equilíbrio entre esses dois estímulos: dinheiro e reconhecimento psicossocial.

Teoria estruturalista e as organizações

Os estruturalistas enxergam as organizações como sistemas que estão em constante interação com os seus ambientes interno (grupos formais e informais, por exemplo) e externo (elementos fora dos limites da empresa).

De um lado, Amitai Etzioni, um dos principais autores da Teoria estruturalista, procurou estudar essas interações levando em consideração as relações de poder.

Ou seja, cada instituição funciona conforme essas relações se materializam.

Nesse sentido, destacam-se quatro “tipologias”:

  1. Coercitivas: refere-se às organizações que utilizam a imposição e a alienação como meio principal de controle, por exemplo, prisões e campos de concentração;
  2. Utilitárias: a remuneração, aqui, é o elemento-chave como forma de obediência, como nas indústrias ou empresas comerciais;
  3. Normativas: o poder normativo (recompensas simbólicas) dessas instituições é a principal fonte de controle, por exemplo, em igrejas e escolas; e
  4. Híbridas: também chamadas de organizações duais, modelam-se conforme as situações e necessidades.


Por outro ângulo, os autores Blau e Scott definiram suas tipologias tendo como base os principais indivíduos afetados pelas operações empresariais.

Nesse caso, o foco está na força de poder e na influência que os beneficiários exercem, inclusive na formação estrutural da empresa

  1. Associação de benefício mútuo: o principal beneficiário é o quadro social da instituição, como cooperativas e sindicatos;
  2. Org. de interesses comerciais: os próprios proprietários, por exemplo, empresas privadas e indústrias;
  3. De serviços: grupo específico de clientes, por exemplo, escolas e hospitais; e
  4. De Estado: a sociedade em geral é a principal beneficiária, como Forças Armadas, institutos de pesquisa, etc.

Críticas à Teoria estruturalista

Como toda teoria, o estruturalismo também sofreu algumas críticas importantes.

Primeiro, podemos destacar as tipologias citadas logo acima. 

Alguns autores afirmam que esse conjunto de características são deveras simplistas. Na verdade, as organizações são mais complexas e podem transitar em um ou mais tipos, a depender de seu estado momentâneo.

Outra crítica importante está nos apontamentos que os próprios estruturalistas fizeram sobre outras teorias, como a das Relações humanas, reduzindo-a “com ser amável com as pessoas”, ou, com o fato de que os teóricos humanistas não admitiam os conflitos organizacionais.

Outros autores afirmam que a Teoria estruturalista não é uma corrente com características específicas, mas sim, uma sugestão para o agrupamento de abordagens diferentes.

Conclusão

Apesar de alguns estudiosos afirmarem que os autores apenas elaboraram uma “abordagem de transição”, é evidente as contribuições da Teoria estruturalista.

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Ela ofereceu uma nova visão, principalmente por ter abordado outras organizações que não somente as industriais.

Além disso, os estruturalistas enfatizaram diversos aspectos, como componentes formais e informais, diferentes interações hierárquicas, incentivos mistos (monetários e sociais), entre outros elementos.

Como afirma Motta (1945) “além do destaque dado às relações entre a organização e seu ambiente, preparou o campo para a análise baseada na Teoria geral dos sistemas abertos”.

Tem algo a acrescentar ao nosso post?
Sinta-se à vontade e comente abaixo =)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

MOTTA, Fernando C. Prestes. Teoria Geral da Administração: uma introdução. 2ª Edição. São Paulo: Livraria Pioneira Editora, 1975.

MAXIMIANO, Antonio Cesar Amaru. Introdução à Administração. 4ª Edição. São Paulo: Atlas, 1995.

Servidor público. Músico e escritor nas horas vagas. É também responsável pelo maior site de Administração e Gestão Pública do Brasil. Formado em Administração pela UNICEP, com especialização em Gestão Organizacional e de Pessoas pela UFSCar.

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