A Teoria Geral dos Sistemas: Uma Perspectiva Completa

Von Bertalanffy foi um dos principais teóricos a compor a pesquisa sobre a Teoria Geral dos Sistemas, criando pressupostos e orientações para sua aplicabilidade

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A Teoria geral dos sistemas ou TGS parte de estudos antigos (1950 e 1968) difundidos por Von Bertalanffy.

Neste texto abordaremos uma das teorias mais difundidas da história da administração.

Teoria geral dos sistemas, uma introdução

Antes de tudo, a TGS entende que cada uma das áreas do conhecimento são formadas por sistemas.

Nessa perspectiva, o estudo dos sistemas, como parte integrante de algo maior, é bastante antigo, mas ganhou propulsão com a criação das teorias reducionistas.

O reducionismo ampliou a visão da ciência no século XX, assim como também iniciou um movimento em direção à contestação das teorias que já existiam.

O que é sistema

   

Podemos afirmar que sistema é tudo aquilo que está composto por partes em prol de um resultado maior, ou seja, comum a todos.

Segundo Oliveira, “o sistema é um conjunto de partes interagentes e interdependentes que, conjuntamente, formam um todo unitário com determinado objetivo e efetuam determinada função” (OLIVEIRA, 2002, p. 35).

Isso significa dizer que esses sistemas possuem características e leis comuns independentemente da área em que se encontram. Sua interdisciplinaridade promove uma base para a sua unificação.

A TGS, dessa forma, considera todos esses princípios comuns a todo ente complexo.

teoria geral dos sistemas
Imagem por Gerd Altmann em pixabay.com

TGS como uma abordagem interdisciplinar

Essa análise permitiu construir um pensamento em que a abordagem interdisciplinar dos fenômenos passa a ser o modelo de interpretação dos sistemas.

Esse modelo influencia variados campos do saber como a física, biologia, sociologia, áreas tecnológicas, teoria da comunicação, ciências sociais e, até mesmo, nas estruturas e dinâmicas das organizações administrativas.

Dentro deste contexto, os estudiosos da TGS afirmam que um sistema possui duas características básicas:

  1. Um objetivo definido a partir da disposição de duas partes;
  2. Qualquer incitação a algum dos componentes do sistema terá consequências nele como um todo.

Nessa ótica, os sistemas serão considerados como abertos ou fechados.

Sistemas abertos e fechados

Os sistemas fechados, de um lado, são aqueles que não sofrem influências nem influenciam os meios onde estão localizados. Isto é, alimentam-se de si próprios.

Esses sistemas tendem a entrar em extinção quando cessam as trocas de energias ou informações. Assim, quando não há mais alimentação, o sistema interrompe a sua necessidade de existir.

Por esse motivo, sistemas fechados costumam ser temporários e breves. Exemplos desses sistemas podem ser encontrados em máquinas, motores e quase todas as tecnologias inventadas pelo ser humano.

sistema fechado
Câmera fotográfica – Imagem por Engin Akyurt em pixabay.com

Sistemas abertos

Por outro lado, sistemas abertos possuem relação com o meio externo através de trocas de informação ou energia, ou ambos. Essas trocas são chamadas de input (entrada) e output (saída).

Processos entrada e saída
Ilustração por dehumanas.com.br

   

Os caminhos que veiculam essas transferências são conhecidos como canais de comunicação e, dessa forma, os sistemas abertos influenciam e são influenciados pelo seu meio externo.

As interações geram alimentações positivas ou negativas e esse fluxo cria uma autorregulação regenerativa, resultando em atributos que podem ser positivos ou negativos para o todo, independentemente das partes.

Nessa perspectiva, os sistemas abertos são formados por subsistemas pertencentes a outros também.

Suas funções dependem de sua composição, pois estes são interdependentes do meio em que estão inseridos.

Caso haja alguma alteração em uma de suas qualidades, a estrutura como um todo irá acompanhar este movimento.

São exemplos de sistemas abertos as nossas instituições em geral, assim como todos os sistemas vivos e, sobretudo, o homem.

Para a administração, a TGS teve aplicação no autoconhecimento das organizações e de suas potencialidades.

A abordagem permitiu que as instituições se preparassem para atuarem em um mercado altamente competitivo, este que é considerado o meio externo aos sistemas organizacionais.

Conceitos importantes da Teoria geral dos sistemas

Existem conceitos fundamentais para o melhor entendimento da TGS.

Por isso, descrevemos alguns desses preceitos abaixo para sua compreensão.

Entropia

Termo cunhado originalmente na Física e na Termodinâmica, a entropia são as transformações de energia causadas pelo esgotamento total de energia e/ou informações de determinado sistema.

Essa exaustão pode levar à degradação de todo o complexo organizado. Logo, entropia é a capacidade de todo o sistema sofrer deterioração.

O conceito de entropia é fundamental, pois revela a existência natural à desordem e desorganização de qualquer sistema.

Com isso, a criação de métricas de avaliação e qualidade, além do planejamento da lucratividade, tornam-se essenciais no dia a dia das instituições.

Vale destacar ainda que autores como Katz e Kahn, também estudiosos da TGS, defendem que o processo de entropia está presente em todos os tipos sistemas sejam eles abertos ou fechados e de qualquer área do conhecimento.

Contudo, é fundamental ressaltar que, em cada tipo de sistema, o processo entrópico age de forma diferente, sendo, às vezes, impossível de combatê-lo.

Em um sistema biológico, por exemplo, não há como evitar a entropia do sistema circulatório.

No entanto, já num sistema social, como nas organizações, é possível opor-se de modo significativo, analisando falhas e realizando possíveis correções.

Saiba mais em:

Sintropia, negentropia ou entropia negativa

Com a existência da entropia, os sistemas desenvolveram outra característica fundamental para permitir a sua continuidade.

Agora, trata-se da força contrária ao processo entrópico, que objetiva manter os sistemas em equilíbrio.

Alguns autores defendem que o conceito de entropia negativa é controverso e preferem chamá-lo de redução da intensidade da entropia.

   

Homeostase ou Homeostasia

Homeostase é um conceito bastante antigo, originário do grego em que “homeos” significa “semelhante” e, “statis“, “situação”.

Na Grécia antiga, Hipócrates, conhecido como “pai da medicina”, trabalhou durante toda a sua vida com a saúde humana.

Observando a reação dos organismos às mais variadas doenças e ferimentos, Hipócrates já havia notado que eles possuíam uma forma de ajuste em sua estabilidade.

Aforismos, Hipócrates
Aforismos, Hipócrates

Em meados dos anos 60, partindo do pressuposto de que um organismo humano é um sistema, formado por vários subsistemas e parte integrante de um sistema externo maior, Bertalanffy, biólogo austríaco, concluiu que a homeostase era a capacidade de um sistema adaptar-se ao meio.

Essa característica de fino ajuste possibilitou a permanência por mais tempo dos sistemas em seus mais variados meios.

Autorregulação dos sistemas

Atualmente, o conceito de autorregulação é aplicado ao equilíbrio obtido dentro dos sistemas.

Ou seja, um dos maiores desafios das organizações: a capacidade de autocontrole, autoconhecimento e autoavaliação.

Dentro dessa perspectiva, são necessários mecanismos e recursos eficientes a fim controlarem os fluxos do ambiente organizacional interno.

Ainda, é preciso que a instituição seja facilmente adaptável ao seu ambiente externo, pois ele é profundamente dinâmico e instável.

O feedback é uma ferramenta fundamental para que essa adaptação tenha mais chances de sucesso, pois permite um sistema de retroalimentação. Isto é, a obtenção de informações às quais servirão como parâmetros e métricas para um possível melhor desempenho.

Portanto, pode-se dizer que a base para todo este equilíbrio é a comunicação.

Comunicação
Imagem por pixsila em pixabay.com

Princípio da equifinalidade

O termo princípio da equifinalidade foi usado pelo já citado Von Bertalanffy como sendo mais uma característica dos sistemas abertos.

O significado central é que não há uma única forma de se chegar em um mesmo resultado final. Pelo contrário, existem vários meios, caminhos e métodos para obter o objetivo desejado.

Dessa maneira, como não existe necessariamente essa única forma perfeita, um dos aspectos a ser explorado é a busca do pensamento inovador.

Logo, o princípio da equifinalidade é fundamentalmente empregado no desenvolvimento de diversas áreas administrativas, como empreendedorismo e inovação.

Um outro aspecto muito importante é que este conceito pode ter sua influência alterada a partir do uso de mecanismos reguladores. Estes têm a capacidade de controlar e analisar as operações de dentro dos sistemas, principalmente quando destacamos o uso da TGS na administração.

Assim, em se tratando das organizações, o princípio da equifinalidade visa evitar o processo entrópico, pois incentiva a busca de soluções diversas e inovadoras.

O conceito tem influenciado as áreas científicas como um todo, trazendo consigo a necessidade do contínuo estudo de métodos, dados, processos e soluções preexistentes.

Para saber mais, acesse o artigo abaixo:

O surgimento da Teoria geral dos sistemas e Von Bertalanffy

Conforme destacado, Ludwig Von Bertalanffy foi um dos principais teóricos a compor a pesquisa sobre a Teoria geral dos sistemas, criando pressupostos e orientações para sua aplicabilidade.

Ele foi um biólogo austríaco, nascido na cidade de Viena, em 1901.

Basicamente, o centro de sua pesquisa estava nos sistemas abertos, vistos como uma série de elementos complexos interagindo em um ambiente.

Bertalanffy propôs a elaboração de algumas diretrizes, conforme segue abaixo:

  1. As ciências naturais/sociais têm uma tendência à integração;
  2. Essa integração é orientada a sistemas e à Teoria geral dos sistemas;
  3. A TGS busca trazer, para plano tangível, os campos teóricos e não físicos das ciências, especialmente as sociais;
  4. A TGS pretende desenvolver princípios unificadores que passeariam entre todos os universos científicos, conceito já conhecido como unidade da ciência;
  5. A unificação das várias ciências tem como consequência a integração da educação científica.

Ciências sociais e a sociologia

Entre todas as áreas cuja aplicabilidade da Teoria geral dos sistemas mostrou-se uma solução inovadora, há uma ênfase às ciências sociais.

Nesse caso, os sistemas abertos demonstraram um enorme potencial, principalmente pelo alcance e adaptação, características muito valorizadas a este campo.

Outra área na qual também deixou marca significativa foi a da sociologia.

Nessa lógica, estudiosos começaram a contar com novos instrumentos analíticos da visão sistêmica, bem diferentes daqueles tradicionais, e que permitiram alcançar novos resultados no âmbito de suas pesquisas.

Instituto Tavistock e a Teoria geral dos sistemas

Atualmente, grandes personagens têm tido destaques na pesquisa dos sistemas abertos.

Existe, na Inglaterra, o Instituto Tavistock. Trata-se de um centro de pesquisa na área de relações humanas que se utiliza das ciências sociais como forma de resolução de problemas contemporâneos.

A contribuição dessa renomada organização perpassa profissionais relacionados às áreas de psicologia e psicanálise.

Hoje em dia, o Instituto Tavistock realiza investigações de avaliação e ação, consultoria em desenvolvimento organizacional e mudanças, além de treinamento executivo e desenvolvimento profissional.

Conheça o site oficial do Instituto

Eric Lansdown Trist e A. Kenneth Rice

Em especial, dois nomes destacaram-se no meio da instituição britânica.

O primeiro deles foi Eric Lansdown Trist, cientista britânico, que se sobressaiu no estudo do desenvolvimento organizacional. Trist identificou dois subsistemas dentro das organizações: o sistema técnico e o sistema social.

Resumidamente, o sistema técnico abrange as demandas da tarefa e é responsável pela eficiência potencial da instituição. Já, o sistema social, abarca as relações sociais dos encarregados pelas próprias tarefas, e que transformam a eficiência potencial em eficiência real.

Essa abordagem ficou conhecida como Abordagem sociotécnica.

Kenneth Rice

O segundo pesquisador expressivo pelo trabalho no Instituto Tavistock é A. Kenneth Rice.

Em suas pesquisas, Rice observava as ligações da organização com o ambiente.

Ele defendia que qualquer empresa poderia ser considerada como um sistema aberto, pois todas realizavam transações e trocas entre os elementos internos e externos.

Para Rice, eram justamente essas trocas que caracterizavam a relação com o ambiente.

A. K. Rice Institute for the study of social systems

Recentemente, há um centro de pesquisas chamado AK Rice Institute incumbido de dar segmento às pesquisas de Rice.

A missão desse instituto é a de explorar diferentes maneiras pelas quais os grupos interagem, objetivando a promoção de mais discussões e pesquisas sobre interação social.

A metodologia e a abordagem do estudo de relações de grupo, apoiadas pelo AK Rice Institute, são baseadas, principalmente, no trabalho do psicanalista britânico Wilfred R. Bion.

Abordagem sociotécnica e a Teoria geral dos sistemas

Teoria geral dos sistemas
Imagem por Gerd Altmann em pixabay.com

Por meio dos estudos de Charles West Churchman, um filósofo e cientista de sistemas nascido nos Estados Unidos, as ciências administrativas também foi importante foco da TGS.

Charles escreveu um livro intitulado de “Introdução à Teoria dos Sistemas”, em 1968.

Introdução à teoria dos sistemas, C. West Churchman
Introdução à teoria dos sistemas, C. West Churchman

Churchman cunhou termos importantes dentro da própria abordagem sociotécnica, já descrita anteriormente, assim como na Abordagem teleológica, que consiste nos estudos do objetivo, do propósito e do fim.

Importa também destacar que o conceito de abordagem sociotécnica relaciona-se sobremaneira com a TGS, pois ambas entendem todos os sistemas são formados por diversos outros subsistemas.

Nesse mesmo raciocínio, as duas teorias sugerem a existência de um ambiente externo, onde participam vários sistemas e subsistemas, cada qual com sua relevância, complexidade e poder para influenciar uns aos outros. Além da interdependência das partes e a busca pelo equilíbrio dos estados.

As estruturas organizacionais ficam condicionadas para a obtenção de insumos (input) e geração de resultados (output) em produtos e serviços à disposição do cliente.

Conclusão

Como descrito no início do texto, a Teoria geral dos sistemas partiu de estudos antigos, publicados por Bertalanffy, entre os anos de 1950 e 1968.

Consoante a TGS, é possível visualizar a existência de comportamentos inter-relacionados nas organizações.

Salientamos que a sua aplicabilidade é ainda muito atual, principalmente nas ciências sociais.

Em se tratando da administração, os gestores encontraram formas inéditas para analisar os complexos fenômenos organizacionais.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BALDIN, Fernando et. al. Revolução Invisível. Uma Nova Forma de Gestão em Serviços. Editora Biblioteca24horas. São Paulo. 2011.

DE ARAÚJO. Andréa Cristina Marques et. al. Uma Revisão sobre os Princípios da Teoria Geral dos Sistemas. Acesso em 13 de abril de 2020.

FEDER, Franklin Lee. A Sociologia e a Moderna Teoria dos Sistemas. Acesso em 10 de abril de 2020.

GARCIA, R. M. Abordagem Sócio-técnica: Uma Rápida Avaliação. Acesso em 15 de março de 2020.

MOTTA, Fernando C. Preste. A Teoria Geral dos Sistemas na Teoria das Organizações. Acesso em 20 de abril de 2020.

NOVO, Luciana F. Teoria dos Sistemas Abertos e Abordagem Sociotécnica. Acesso em 12 de março de 2020.

OLIVEIRA, Djalma de Pinho Rebouças de. Teoria Geral da Administração: Uma Abordagem Prática. São Paulo: Atlas, 2010.

SILVA, Alcineide Pereira da. et. al. Teoria Geral dos Sistemas: Diferencial Organizacional que Viabiliza o Pleno Entendimento da Empresa. Acesso em 12 de março de 2020.

SPINK, Peter. A perda, redescoberta e transformação de uma tradição de trabalho: a teoria sociotécnica nos dias de hoje. Acesso em 22 de março de 2020.

UHLMANN, Günter Wilhelm. Teoria Geral dos Sistemas: Do Atomismo ao Sistemismo. Acesso em 5 de abril de 2020.

Daiéli Duarte

Daiéli Duarte

Apaixonada por literatura e marketing. É formada em Administração pela UNIPAMPA, com especialização em Gestão Empresarial. Além de docente em cursos de educação profissional, atua também nas áreas de tecnologia e marketing digital.

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